ARadioagência Nacionalacompanha as transformações da comunicação. A produção de podcasts jornalísticos, que começou a partir de 2023, abriu novos caminhos para aprofundar temas da nossa história e ampliar vozes.
Tudo começou com opodcast Histórias Raras, idealizado pela Patrícia Serrão e roteirizado por Leyberson Pedrosa:
Com a mudança de gestão, foi uma oportunidade, um momento feliz onde se apostou na possibilidade de inovação e aí a gente conseguiu fazer esse projeto, que virou Histórias Raras em parceria com a Pati, no sentido de fazer um produto que fosse diferente, que fosse inovador e que contasse alguma questão de relevância para a sociedade, como também abrir o espaço da acessibilidade, da transcrição, dos vídeos em libras.
Era um momento de mudanças e criatividade, sob a gestão de Kariane Costa na presidência da EBC, o projeto contou com o apoio de todo o setor, sob a gerência executiva de Juliana Cézar Nunes que também apostou no formato:
É um conteúdo de credibilidade, tudo apurado, checado, cuidado, produzido com sonoplastia, com novas linguagens. Também experimento, isso é muito bacana, a diversidade de temas, e vejo uma equipe que traz também, na produção do seu material, vivências próprias, experiências pessoais, isso é muito importante. É na produção jornalística que é importante para criar esse laço de confiança, de identidade com o seu ouvinte, que é que as pessoas possam se ver o conteúdo que está sendo produzido.
De lá para cá, aRadioagênciajá publicou 12 podcasts temáticos e dois semanais, com mais de 80 episódios.
As produções exploram temas invisibilizados pela mídia comercial: das doenças raras ao impacto das enchentes no Rio Grande do Sul sobre pessoas gordas; da história da imprensa negra no Brasil às vozes de cientistas negras; da memória do golpe de 1964 aos desafios da Amazônia rumo à COP 30.
Também nasceram projetos inovadores como o Ajudante Digital que traz informações sobre tecnologia, o VideBula, que explica temas de saúde de forma acessível, e ainda o Crianças Sabidas, que leva jornalismo de forma lúdica para o público infantil. A pesquisadora de comunicação pública, participante eleita do Comitê de Participação Social, Akemi Nitahara destaca a importância do formato:
O podcast é um formato que nasceu há 20 anos e ele teve um impulsionamento muito forte pela mídia pública, tanto nos Estados Unidos como na Inglaterra, no Canadá, na Austrália também. Aqui no Brasil a gente da EBC demorou um pouquinho para entrar, mas estamos fazendo com muita qualidade e com esse diferencial de tratar de temas muito relevantes e que não são tão abordados por outras produções. Com isso, a comunicação pública cumpre o papel de abordar temas diferenciados para públicos que não são contemplados e também a inovação de linguagem, de novos formatos, que também é um dos princípios da comunicação pública.
Os episódios são publicados noYoutube da Rádio Nacionalcom tradução para Libras, ampliando a acessibilidade.
Apesar das conquistas, os desafios permanecem e ainda assim, a equipe segue apostando na criatividade para garantir conteúdos de qualidade. Como nos conta a jornalista Sumaia Villela:
Foi a equipe que trouxe a vontade de fazer os podcasts, de inaugurar esse formato, a criação dos fluxos institucionais necessários, o conhecimento necessário para explorar esse formato. Veio tudo da equipe, por meio dos seus relacionamentos interpessoais, das suas experiências dentro e fora da EBC, da dedicação do empenho de cada um da equipe. E a gente conseguiu criar grandes podcasts e um fluxo de novas produções que é bem amplo, que é versátil. Eu acho que a gente tem muito o que fazer nesse campo ainda, muito o que aperfeiçoar. E acho que a EBC tem o dever de fazer a correta divulgação desse conteúdo para que ele chegue efetivamente no público, que não são os mesmos, os tradicionais daRadioagência Nacional.
Nestes 21 anos, aRadioagência Nacionalreafirma seu papel como referência em áudio jornalismo público. E com os podcasts, mostra que as boas narrativas continuam sendo ferramentas importantes para informar, emocionar e contribuir para nossa consciência crítica.
