Evento debateu políticas educacionais, democracia, gestão da educação e os impactos das transformações tecnológicas
A presidenta da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Márcia Angela Aguiar, participou, na última quinta-feira (18), do II Encontro da Rede Pontes Lusófonas, realizado na Universidade Federal da Bahia (UFBA). O evento reuniu pesquisadoras e pesquisadores de diferentes países lusófonos para discutir temas relacionados à política e à gestão da educação, fortalecendo a cooperação acadêmica internacional na área.
A Rede Internacional de Investigação em Políticas e Gestão da Educação Pontes Lusófonas tem como objetivo promover a colaboração científica entre países de língua portuguesa, por meio da construção de equipes de pesquisa e da produção conjunta de conhecimento sobre políticas educacionais e gestão da educação. Este foi o segundo encontro presencial da rede, cuja primeira edição ocorreu em Aveiro, Portugal, em 2024.
A mesa contou com a participação da professora Dora Fonseca da Universidade de Aveiro (UA); da professora Elisângela Alves da Silva Scaff, da Universidade Federal do Paraná (UFPR); e da professora Regina Cestari de Oliveira, da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). A coordenação da mesa ficou a cargo da professora Camila Bortot, da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP).
A conferência central foi conduzida pela professora Maria João Carvalho, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, de Portugal, que abordou as relações entre infocracia, democracia e gestão educacional, refletindo sobre os impactos das tecnologias digitais nos processos de governança das instituições de ensino. Em sua exposição, a pesquisadora alertou para os riscos que determinadas dinâmicas informacionais podem representar para os processos democráticos. “Na infocracia está presente uma dinâmica que ameaça os alicerces da própria democracia”, afirmou.
Ao analisar a gestão educacional mediada por tecnologias digitais, Maria João Carvalho também discutiu os limites da autonomia das escolas e dos gestores, ao problematizar os mecanismos de controle exercidos por meio de legislações e plataformas eletrônicas. A professora defendeu ainda a democracia como espaço de pluralidade e debate. “A democracia só é possível através da dissonância; a democracia é o conflito de opiniões, é o conflito de perspectivas”, destacou, ao enfatizar a importância da crítica, da reflexão e da participação nos processos educacionais.
Durante o debate, Márcia Angela Aguiar levantou questões relacionadas aos desafios colocados pelas transformações tecnológicas para a educação contemporânea. Em sua intervenção, refletiu sobre a permanência dos princípios da escola democrática e da formação humana integral diante do avanço científico e tecnológico e dos processos de automação e robotização da sociedade.
Ao comentar a trajetória da Rede Pontes Lusófonas, Elisângela Scaff destacou a relevância da cooperação acadêmica internacional para o desenvolvimento das atividades do grupo. Segundo ela, os encontros promovidos pela rede contribuem para “amadurecer ainda mais a nossa rede” e representam “um crescimento sem dúvida para todos nós”.
A Rede Pontes Lusófonas busca construir referenciais teóricos e analíticos capazes de compreender as políticas e a gestão da educação em diferentes contextos nacionais, considerando tanto as regulações de organismos transnacionais quanto as respostas produzidas por pesquisadores e movimentos científicos em cada país.
A conferência está disponível no YouTube:


