O Boletim traz a estatística fiscal por um conceito diferente do mais difundido no Brasil que é o do pelo Resultado do Tesouro Nacional (RTN). O RTN foi estruturado com base no Manual de Estatísticas de Finanças Públicas de 1986 - MEFP 1986 do Fundo Monetário Internacional, e tem como foco as receitas e despesas primárias, que não incluem juros, de forma a avaliar a gestão de liquidez de curto prazo e o impacto econômico das atividades do governo. Além disso, a abrangência do RTN é o governo central, ao passo que no BEFGG estão incluídas informações consolidadas do governo geral, que compreende os governos central, estaduais e municipais.
O investimento líquido do governo geral passou de -0,18% do PIB no primeiro trimestre de 2025 para 0,08% do PIB em 2026, refletindo a ampliação dos investimentos públicos, especialmente em ativos fixos associados a obras e infraestrutura. O resultado foi sustentado principalmente pelos governos estaduais e municipais, enquanto o governo central permaneceu com investimento líquido negativo no período.
No 1º trimestre de 2026, a necessidade líquida de financiamento do governo geral alcançou 5,73% do PIB, ante 1,77% do PIB no mesmo período do ano anterior. Essa variação se deve ao crescimento nominal de 17,61% da despesa do governo geral em relação ao mesmo período de 2025, parcialmente compensado pelo crescimento nominal de 7,84% da receita no mesmo período. Nas estatísticas de finanças públicas, há uma necessidade líquida de financiamento quando a diferença entre a receita e a despesa é negativa. Quando há um resultado positivo, existe uma capacidade líquida de financiamento.
A receita total do governo geral alcançou 41,90% do PIB no primeiro trimestre de 2026, ante 41,76% do PIB no mesmo período de 2025. O aumento foi impulsionado principalmente pelo crescimento das contribuições sociais, favorecidas pela evolução da massa salarial e do emprego formal, e das rendas patrimoniais, beneficiadas pelo patamar mais elevado das taxas de juros. Esses efeitos foram parcialmente compensados pela redução da arrecadação de impostos, especialmente sobre renda da pessoa jurídica.
Nessa metodologia, que permite a comparação das estatísticas fiscais do Brasil com a de outros países, as despesas são apuradas pelo regime de competência, ou seja, seu registro ocorre quando se cria uma obrigação para o governo, e não no momento do pagamento. A receita, por sua vez, é apurada pelo regime de caixa, que considera apenas os recursos efetivamente recebidos.
O Boletim de Estatísticas Fiscais do Governo Geral (BEFGG) apresenta estatísticas das três esferas de governo – Governo Central, Estados e Municípios – consolidadas no setor Governo Geral.
O objetivo principal desse esforço é construir agregados econômicos harmonizados internacionalmente – permitindo a comparação entre países – e com o Sistema de Contas Nacionais – possibilitando uma análise mais precisa das relações entre as variáveis fiscais e as econômicas.
Receitas e despesas
As informações são compiladas no âmbito dos acordos de cooperação técnica firmados entre o Tesouro Nacional, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) com o objetivo central de aperfeiçoar as estatísticas fiscais no Brasil para convergência com os conceitos e metodologias estabelecidas pelo GFSM 2014 do Fundo Monetário Internacional.
A despesa total do governo geral atingiu 47,63% do PIB, registrando aumento de 4,10 pontos percentuais do PIB em relação ao primeiro trimestre de 2025. O resultado refletiu principalmente a elevação das despesas com juros, em um contexto de taxas de juros mais elevadas, e dos gastos com benefícios previdenciários e assistenciais, influenciados pela concentração de pagamentos de precatórios e sentenças judiciais no início de 2026. Também contribuíram para o crescimento das despesas os maiores gastos com remuneração de empregados.
Na ótica por esfera de governo, a necessidade de financiamento do governo geral (5,73% do PIB) decorre de uma necessidade de financiamento de 7,68% do PIB do governo central e de uma capacidade de financiamento de 1,57% do PIB e de 0,38% do PIB dos governos municipais e dos governos estaduais, respectivamente.
Os dados estão no Boletim de Estatísticas Fiscais do Governo Geral do 1º trimestre de 2026 , divulgado nesta quarta-feira (01) pelo Tesouro Nacional. O documento apresenta estatísticas das três esferas de governo (Governo Central, governos estaduais e municipais) consolidadas no setor Governo Geral segundo a metodologia do Manual de Estatísticas de Finanças Públicas de 2014 do Fundo Monetário Internacional (FMI) – MEFP 2014, e faz parte do esforço do Tesouro Nacional de convergência às melhores práticas internacionais.
Metodologia
