Para as curadoras da exposição, Sabrina Fontenele, Vânia Leal e Ana Roman, a imagem do rio, presente na mostra “Um rio não existe sozinho”, com curadoria das duas primeiras, também atravessa esta nova mostra como metáfora para pensar deslocamentos, encontros e transformações. Elas resumem que, “ao conectar territórios distintos, atravessar fronteiras e reorganizar continuamente a paisagem, o rio produz zonas de encontro, deslocamento e transformação”.
PROGRAMAÇÃO
Seminário "Quando o museu é: acervos e futuros"
Em texto coletivo sobre o Museu Goeldi na exposição, os curadores científicos – Nelson Sanjad, Sue Costa e Sâmia Batista – destacam as conexões entre pessoas; entre campos do conhecimento; entre humanos e não humanos; entre diferentes territórios; entre passado, presente e futuro e concluem: “Nessa trajetória de um museu-rio, as pessoas que o fazem – de dentro para fora e de fora para dentro – o renovam cotidianamente, inundam suas praias e fertilizam seu chão, dão voz e alma a cada imagem ou artefato que o passado transmitiu para nós. Um museu de portas abertas, um museu-mangue, é o que lança pneumatóforos (as raízes aéreas respiratórias) em todas as direções, aproximando territórios e coletivos sociais, sobrevivendo do ar e da lama que nos constituem como humanos”.
Para o diretor da instituição científica, Nilson Gabas Júnior, a parceria com o Instituto Tomie Ohtake permite que o Museu Goeldi dê continuidade a uma tradição de unir arte e ciência para comunicar conhecimento.
“Iniciamos essa colaboração no contexto da COP30 (30ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), que teve o Museu Goeldi como um dos espaços de reunião, discussão e construção coletiva de cientistas, representações indígenas, quilombolas e ribeirinhas, e de gestores públicos. A exposição “Um rio não existe sozinho”, que recebemos no nosso Parque Zoobotânico, comunicou isso aos visitantes. Agora, a nova mostra leva a conexão para outros espaços do país, e esperamos que mais pessoas tenham acesso a um pouco do conhecimento que produzimos na Amazônia, há quase 160 anos” (Nilson Gabas Júnior, diretor do Museu Goeldi).
Entre os conjuntos apresentados, estão materiais ligados à Coleção Didática Emília Snethlage, utilizada em ações educativas do Museu Goeldi, além de pesquisas arqueológicas sobre pinturas rupestres amazônicas; do projeto Replicando o Passado, desenvolvido com ceramistas do Pará e do Amapá; dos estudos sobre a descoberta de fósseis de preguiças-gigantes na Amazônia; de projetos científicos e ambientais, como o Esecaflor, desenvolvido na Floresta Nacional de Caxiuanã, dedicado à investigação dos efeitos das mudanças climáticas, entre outros.
Propondo uma investigação sobre o papel contemporâneo das instituições dedicadas à memória, à ciência e à produção de conhecimento sobre a Amazônia, o projeto tem a curadoria de Ana Roman e Sabrina Fontenele, respectivamente, a superintendente artística e a curadora do Instituto Tomie Ohtake; e de Vânia Leal, pesquisadora e mestre em Comunicação, Linguagem e Cultura, com atuação da região Norte. A curadoria científica é assinada por Nelson Sanjad, Sâmia Batista e Sue Costa, pesquisadores do Museu Goeldi. Os artistas convidados são Déba Tacana, Elaine Arruda, Francelino Mesquita, Gustavo Caboco, Mari Nagem, Noara Quintana, Paula Giordano, PV Dias, Rafael Segatto Barboza da Silva e Sallisa Rosa, além do Estúdio Flume.
"Quando o museu é rio" é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), mecanismo gerido pelo Ministério da Cultura (MinC). Idealizada pelo Instituto Tomie Ohtake, em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi, a mostra conta com o patrocínio do Nubank, mantenedor institucional do Instituto Tomie Ohtake; da AkzoNobel; do Aché Laboratórios Farmacêuticos; e com apoio da Coral.
A programação articula debates sobre patrimônio, coleções etnográficas, arqueológicas e científicas, práticas curatoriais, circulação de acervos e processos de criação artística, aproximando experiências desenvolvidas no contexto amazônico e em outras instituições culturais e universitárias do país. A abertura da exposição integra a programação do seminário, que propõe reflexões sobre as relações entre museus, territórios, pesquisa, comunidades e produção de conhecimento.
Nos dias 25 e 26 (quinta e sexta-feira), o Instituto Tomie Ohtake realiza o seminário "Quando o museu é: acervos e futuros”, organizado em parceria com o Museu Goeldi e o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. Além da conferência com a participação das três curadoras da exposição, Ana Roman, Sabrina Fontenele e Vânia Leal, o evento terá sete mesas-redondas com a presença de artistas, pesquisadores, gestores e profissionais de áreas conectadas a museus. Em seis dessas mesas, estão os pesquisadores vinculados ao Museu Goeldi: Nelson Sanjad, Sue Costa, Sâmia Batista, Ana Vilacy Galúcio, Claudia López Garcés, Cristiana Barreto, Erêndira Oliveira e Igor Rodrigues.
Com informações do press release do Instituto Tomie Ohtake Edição: Andréa Batista/Museu Goeldi
Agência Museu Goeldi – Na próxima sexta-feira (26/06), será aberta, na sede do Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, a exposição “Quando o museu é rio”, um desdobramento do projeto “Um rio não existe sozinho”, desenvolvido no ano passado, no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em Belém, no Pará. A mostra destaca a atuação histórica da instituição científica na Amazônia e as discussões contemporâneas em torno da classificação e da reorganização de acervos etnográficos e biológicos. Um dia antes, terá início o seminário “Quando o museu é: acervos e futuros”, que reunirá pesquisadores, artistas, curadores, gestores e profissionais de museus para discutir as transformações das instituições museológicas, diante de seus acervos e dos debates contemporâneos sobre preservação, circulação, pesquisa e acesso. As discussões acontecerão na quinta e na sexta-feira (25 e 26), e a exposição ficará em cartaz até 16 de agosto.
A presença da imagem do rio
Sob essa perspectiva, a exposição propõe repensar o museu “não como instituição estável, mas como campo contínuo de relações entre território, ciência, espiritualidade e vida cotidiana”, em que os acervos deixam de operar como registros fixos do passado e passam a ser compreendidos como “matéria viva, a partir da qual é possível imaginar e construir outros futuros”.
Novas e antigas conexões




