Um relatório preliminar do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) sobre a Operação Contenção, a mais letal da história do país, revela que policiais retiraram as câmeras corporais em 17% dos casos analisados até o momento. As conclusões serão apresentadas no relatório final que vai ser entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Os corpos enfileirados e estendidos no chão no Complexo da Penha rodaram o mundo e chocaram o país. 122 pessoas morreram na operação que deixou o maior número de mortos na história do Brasil. Do total, cinco eram policiais. Logo depois da ação, surgiram denúncias de organizações de direitos humanos brasileiras e internacionais por suspeita de uso excessivo de força, desrespeito à lei e execuções de suspeitos.
A investigação autônoma do Ministério Público do Rio de Janeiro começou no dia seguinte à operação, em 29 de outubro do ano passado. Até o momento, os investigadores analisaram o equipamento de 51 policiais do Bope, tropa de elite da Polícia Militar do Rio: 17% dos agentes retiraram as câmeras corporais durante a ação e 8% deles teriam obstruído de propósito as imagens. A verificação das mais de 3.600 horas de gravação das câmeras corporais continua.
A investigação já ouvi o relato de 200 agentes e também parentes das vítimas, além de ter realizado perícias independentes no Instituto Médico Legal. O objetivo é apresentar um relatório final ao Supremo Tribunal Federal, que monitora a execução de protocolos previstos na ADPF 635, a ADPF das Favelas, ação para conter a letalidade policial e garantir os direitos humanos nas comunidades do Rio.
Até agora, o Ministério Público do Estado já apresentou oito denúncias contra 27 policiais militares por ilegalidades praticadas durante a operação, como apropriação de armamento, furto de peças de veículos e invasões de domicílio.
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