Uma pesquisa conjunta do Instituto Fogo Cruzado com o Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI-UFF) aponta que 4 milhões de moradores do Rio de Janeiro vivem em áreas sob controle ou influência de grupos armados.
Entre 2007 e 2024, os grupos armados da região expandiram as áreas de controle em mais de 130%. A população que vive nos territórios dominados também aumentou 59%.
No ano passado, as milícias lideravam em termos de extensão territorial, com quase metade de toda a área sob domínio armado, o equivalente a 201 km². Já o Comando Vermelho exercia domínio sobre mais pessoas, cerca de 1,6 milhão de habitantes ou 47% da população atingida.
Quase 35% da população do estado do Rio mora em áreas com atuação de grupos armados. Eles também têm o controle de cerca de 18% de toda a superfície urbanizada habitada.
As facções e grupos milicianos aproveitam falhas e recuos do estado e sua atuação agrava desigualdades nessas regiões.
Os dados da pesquisa foram colhidos de registros anônimos do Disque Denúncia, validados com informações da imprensa e da literatura especializada. Para os pesquisadores, não se trata de um retrato momentâneo da violência, mas sim de um crescimento observado numa série histórica.
Duas categorias foram utilizadas para diferenciar a atuação criminosa, controle e influência. Controle é quando os grupos armados obtêm recursos econômicos de mercados legais ou ilegais do território, quando impõem normas de conduta e comportamento aos moradores e quando usam força ou ameaça para manter esse controle. Influência é uma espécie de controle insuficiente ou intermitente. Acontece de forma irregular no tempo ou com menos densidade.
No período analisado, a alta registrada nos fenômenos de controle do território quase dobrou e o fenômeno da influência cresceu mais de cinco vezes. É o que explica Daniel Hirata, coordenador do GENI-UFF.
"A influência se relaciona, por exemplo, à exploração de um determinado mercado, como transporte alternativo ou internet. Não é que o grupo exerça um grande controle sobre o comportamento das pessoas naquele local. As barricadas, por exemplo, também são um sinal de influência"
No período entre 2016 e 2020, houve uma grande expansão, creditada principalmente às milícias. O período coincide com o desmonte das Unidades de Polícia Pacificadora no estado.
A partir de 2021, os pesquisadores constataram uma gradual retração, que afetou principalmente a atuação de grupos milicianos. A redução se deve a ações do Ministério Público do Estado do Rio com as Forças de Segurança, a exemplo da Operação Intocáveis, que terminou com a prisão e posterior morte das lideranças centrais.
De acordo com os pesquisadores, porém, estratégias baseadas apenas em operações policiais de alto impacto não são capazes de alterar a estrutura do domínio armado.
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