Estados Unidos e o Irã divergem sobre os termos do acordo de cessar-fogo que de fato não ocorreu para o Líbano. O país sofreu dezenas de ataques de Israel. O Irã afirma que os termos da negociação de paz incluíam o Líbano e fechou de novo por causa disso o estreito de Ormuz. Já os Estados Unidos dizem que o Líbano não fazia parte da trégua e por sua vez ameaçou o Irã com ataques maiores e ainda mais fortes.
Donald Trump voltou às redes sociais e fez novas ameaças ao Irã caso o país não reabra o estreito de Ormuz e avisou que todo o aparato militar dos Estados Unidos permanecerá posicionado no Irã até que o que ele chamou de “verdadeiro acordo” seja totalmente alcançado e cumprido. Se por qualquer motivo isso não acontecer, o que é altamente improvável, então o tiroteio começará maior, melhor e mais forte do que qualquer um jamais viu.
Ao confirmar o cessar-fogo na última terça-feira, o Irã disse ter apresentado aos Estados Unidos, por meio do Paquistão, um plano de 10 pontos como condição para dar fim à guerra. Inicialmente Trump considerou a proposta como uma base viável, mas depois recuou e disse que apenas alguns pontos eram aceitáveis para os Estados Unidos.
Uma das discordâncias é a continuidade do programa de enriquecimento de urânio. O Irã não abre mão de seu programa de enriquecimento nuclear para fins pacíficos, mas Trump diz que Teerã não voltará a enriquecer urânio e chegou a dizer que os Estados Unidos e o Irã trabalharão juntos para retirar o estoque de urânio enriquecido do país.
Outro impasse é a inclusão do Líbano no acordo. O Paquistão e o Irã afirmam que a trégua inclui o país e portanto proíbe ataques durante o período do cessar-fogo. Estados Unidos e Israel no entanto afirmam que o Líbano e o combate ao Hezbollah, grupo aliado ao Irã, estão fora da trégua. Em resposta a esses ataques, o Irã voltou a fechar o estreito de Ormuz. O anúncio do novo fechamento do estreito e o temor por uma escalada do conflito fez o preço do barril do petróleo voltar a subir, chegando próximo ao patamar de US$100 dólares.
Autoridades iranianas alertaram que, caso os Estados Unidos não contenham Israel, haverá reação com força e afirmaram estar identificando alvos para responder aos ataques ao Líbano.
Apesar da fragilidade da trégua, está mantida para o fim de semana a reunião de representantes dos Estados Unidos e do Irã no Paquistão para tentar negociar o fim da guerra. A delegação americana será liderada pelo vice-presidente J.D. Vance, enquanto o Irã será representado por autoridades de alto escalão, incluindo o ministro das relações exteriores Abbas Araghchi. Países como a França e a Espanha e a vice-presidente da Comissão Europeia Kaja Kallas defendem a inclusão do Líbano no acordo de paz.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirma que o seu país continuará atacando o Hezbollah com força, precisão e determinação.
Na quarta-feira (8), Trump voltou a endurecer o discurso contra aliados e ameaçou adotar medidas contra países da Otan que, segundo ele, não estariam apoiando Washington no conflito.
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