MEMÓRIA E VERDADE
Evento reúne especialistas e instituições de vários países para debater a preservação de lugares de memória e promoção dos direitos humanos, com destaque para a Casa da Morte, em Petrópolis (RJ)
(Foto: Divulgação)
O evento, integrante do Projeto Lugares pela Memória, reafirma o compromisso do Estado brasileiro com a preservação da memória histórica, a promoção do diálogo e a valorização do papel das vítimas e sobreviventes das ditaduras na América Latina. A programação abordou experiências de países vizinhos na criação e gestão de lugares de memória que, durante as respectivas ditaduras, funcionaram em espaços privados, além de promover a reflexão sobre a implementação de políticas públicas voltadas à memória, à verdade e à justiça, destacando práticas educativas voltadas à formação de uma cultura de direitos humanos.
O debate contou com representações de diversos países latino-americanos, como Chile, Argentina e Uruguai, que compartilharam experiências e boas práticas de gestão de lugares de memória vinculados às ditaduras, muitas vezes funcionando em espaços privados. Do Brasil, participaram representantes da Universidade Federal Fluminense e do MDHC, reforçando o papel institucional de articulação entre sociedade civil, academia e Estado na defesa do direito à memória e à verdade.
"A experiência brasileira tem buscado se fortalecer na interlocução com outras iniciativas da região, absorvendo boas práticas, e buscando consolidar uma rede que se oriente por um espírito que podemos chamar de anti-Condor — uma articulação por memória e verdade em oposição àquela que, durante a ditadura, uniu os aparelhos repressivos do Cone Sul para perseguir e eliminar opositores", destacou Elson Luiz da Silva, coordenador de Apoio a Políticas de Memória e Verdade da ADMV/MDHC.
"Hoje, quando instituições e espaços de memória da Argentina, Chile e Brasil compartilham metodologias, saberes, desafios e estratégias de educação para a não repetição, estamos afirmando, juntos, uma aliança de sentido inverso: uma integração pela democracia, pela justiça e pelo compromisso com os direitos humanos. Essa troca constante entre países nos permite reafirmar que a memória é, acima de tudo, uma prática coletiva e permanente de resistência", complementou.
Casa da Morte
Um dos principais focos do seminário foi o reconhecimento do imóvel conhecido como Casa da Morte, localizado em Petrópolis (RJ). Este foi um centro clandestino utilizado pela repressão militar na década de 1970, onde dezenas de presos políticos passaram por torturas e violações de direitos humanos. O reconhecimento como lugar de memória da ditadura demonstra o compromisso do Estado na reparação simbólica e no fortalecimento da memória coletiva, essenciais para a construção de uma sociedade mais justa e plural.
Ao reafirmar o papel da memória como elemento central na construção de uma cultura de paz, o seminário reforça a importância de políticas públicas comprometidas com a verdade, a justiça e a reparação. A iniciativa também representa uma atuação do Governo do Brasil na consolidação de uma sociedade democrática, consciente de seu passado e dedicada à defesa irrestrita dos direitos humanos.
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Texto: J.N.
Edição: F.T.



