No campo do antidopagem, a regra é rígida: o atleta é responsável por tudo o que ingere. Mesmo quando há a alegação de contaminação de suplementos com substâncias proibidas no esporte, a punição não é automaticamente descartada. Para tentar reduzir a sanção, é necessário comprovar a origem da substância proibida, o que exige, entre outros pontos, a apresentação do produto lacrado do mesmo lote e nota fiscal para análise laboratorial. “O risco e a responsabilidade são sempre do atleta”, reforçou a coordenadora-geral de Educação, Ana Bonetti. A recomendação é redobrar a atenção antes de consumir qualquer produto.
Assessoria de Comunicação – Ministério do Esporte
Parte inferior do formulário
Durante a abertura, a presidente da ABCD, Adriana Taboza, destacou a relevância do tema para a comunidade esportiva, especialmente diante da crescente oferta de produtos que prometem melhora de desempenho. Segundo ela, é fundamental compreender os efeitos reais dessas substâncias e os riscos envolvidos.
Sobre suplementos manipulados, a orientação também é cautelosa. Patrícia Ferrari esclareceu que produtos feitos em farmácias de manipulação não são considerados suplementos pela ANVISA e não seguem os mesmos padrões industriais de controle, sendo classificados como fórmulas magistrais.
A conclusão foi clara: em um mercado marcado por promessas e regulação reduzida, informação de qualidade é essencial para evitar riscos à saúde e à carreira esportiva.
A preocupação aumenta quando se trata de produtos que combinam diversos ingredientes, como os populares pré-treinos. “Embora existam evidências para ingredientes isolados, os dados sobre produtos combinados são escassos ou inconclusivos”, destacou Patrícia Amaral. Segundo ela, essas misturas podem gerar efeitos imprevisíveis no organismo e até prejudicar a saúde.
O uso de suplementos alimentares, cada vez mais popular entre atletas e praticantes de atividade física, esteve no centro de um treinamento especial promovido pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), nesta quinta-feira (16). O encontro reuniu especialistas para discutir evidências científicas, riscos à saúde e implicações no controle antidopagem — e deixou um recado claro: o consumo desses produtos exige cautela, informação e muita responsabilidade.
Patrícia Ferrari Andreotti, gestora da Gerência de Regularização de Alimentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ressaltou que, em alguns casos, o produto simplesmente não contém o que promete: um whey protein, por exemplo, pode ter colágeno ou gelatina no lugar da proteína esperada.
Parte superior do formulário
Um dos principais pontos abordados foi a limitação das evidências científicas. De acordo com Patrícia Amaral, professora adjunta na Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Goiás e orientadora da Liga de Nutrição em Esportes e Fisiologia do Exercício, apenas alguns suplementos, como cafeína, creatina, beta-alanina e nitrato, apresentam comprovação consistente de eficácia em contextos específicos. “Ainda assim, o uso deve ser criterioso.”
Por fim, as expositoras reforçaram que a alimentação equilibrada continua sendo a base do desempenho esportivo. A suplementação pode ser indicada em situações específicas, mas sempre com acompanhamento profissional.
Outro alerta importante diz respeito à desinformação. A professora chamou atenção para a atuação de influenciadores e até profissionais de saúde que promovem suplementos sem respaldo técnico, muitas vezes em desacordo com códigos de ética.




