O Supremo Tribunal Federal ouviu hoje as defesas de mais quatro integrantes do núcleo três da trama golpista. Esse grupo é formado por nove militares e um policial federal. Eles ficaram conhecidos como Kids Pretos — acusados e denunciados por tramar o sequestro e a tentativa, ou pelo menos o plano, de morte de autoridades.
Os dez integrantes do núcleo três da trama golpista respondem pelos crimes de organização armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência, além de grave ameaça e deterioração do patrimônio.
Os acusados são militares do grupamento de forças especiais do Exército. A Procuradoria-Geral da República acusa o grupo de planejar o sequestro e a morte de autoridades, como o ministro Alexandre de Moraes e o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.
Nos depoimentos, as defesas pediram a absolvição dos réus. Segundo os advogados, as reuniões golpistas teriam sido apenas confraternizações ou visitas de cortesia.
Um dos defensores, ao se dirigir ao plenário, afirmou:
“Tudo o que é utilizado para acusar o Azevedo são heresias. Tudo o que se utiliza para defender o Azevedo são provas diabólicas adquiridas no celular da esposa. Graças a Deus, Ariane, que você existe ao lado desse homem, porque o teu celular desmontou esse castelinho de areia criado por um delegado irresponsável.”
O ministro Flávio Dino se manifestou sobre o tom adotado em parte da sustentação oral do advogado Jeffrey Chiquim, defensor de Rodrigo Pesce de Araújo:
“Nós fazemos questão de acentuar aqui: o tribunal, as partes e o Ministério Público têm um dever legal de respeito. Isto vale para esta tribuna — que não é uma tribuna parlamentar, nem uma tribuna do Tribunal do Júri — e vale também para as outras manifestações externas a este plenário. Isso se chama lealdade.”
Após a sustentação dos quatro advogados, a sessão foi suspensa e deve ser retomada na próxima semana, com os votos dos ministros.
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