O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro retomou o julgamento do assassinato do menino Henry Borel. O caso ganhou repercussão nacional em março de 2021. Henry tinha quatro anos quando morreu após sofrer hemorragia interna e apresentar mais de 20 lesões pelo corpo. Monique Medeiros, mãe de Henry, e o ex-vereador Jairinho, padrasto do menino, respondem pelo homicídio da criança. Ela por ter conhecimento e permitido as agressões ao filho; ele por ser apontado como o agressor direto.
O julgamento começou no fim da manhã dessa segunda-feira (25) já com um impasse. A sessão teve início com a decisão de Jairinho de revogar os poderes de sua defesa. Ele justificou a medida afirmando que o advogado que o acompanhava desde o início do processo sofreu um infarto no fim de semana e seria o único a conhecer integralmente os autos e também processos relacionados a testemunhas que participarão do julgamento sobre a morte de Henry Borel.
A juíza responsável pelo julgamento, Elizabeth Machado Louro, elaborava sua decisão quando Jairinho interrompeu a sessão para conversar com seus advogados. Após ter destituído a defesa, ele voltou atrás. O filho dele, Luís Fernando Abidão Figueiredo Santos, assumiu a defesa ao lado de outros advogados.
A defesa de Monique também pediu o adiamento, por entender que o processo deve ser julgado conjuntamente, e que o desmembramento seria uma estratégia da defesa de Jairinho.
O Ministério Público pediu a transferência de Jairinho para Bangu 1, unidade prisional com regras mais rígidas e que, segundo o promotor, se aproximaria mais do cumprimento da pena.
O conselho de sentença já foi definido e é composto por cinco homens e duas mulheres. A expectativa é que o julgamento prossiga durante a semana.
Leniel Borel, pai de Henry, espera que o julgamento seja concluído ainda esta semana. “Eu espero que hoje a gente veja realmente a justiça sendo feita pelo meu Henry e por essas milhares, se não milhões, de crianças que são vítimas o ano inteiro. Acabou de sair um levantamento mostrando mais de seis mil crianças com medidas protetivas, com a Lei Henry Borel, que leva o nome do meu filho. Nunca imaginei estar nessa posição, mas também nunca imaginei perder um filho de uma forma tão trágica”, disse.
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