Um dos acordos comerciais mais aguardados do mundo começa a sair do papel. O acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul começa a valer de forma provisória a partir do dia 1 de maio. O anúncio foi feito nesta segunda-feira pela Comissão Europeia, que concluiu a última etapa necessária para dar início à aplicação do tratado.
Na prática, o acordo passa a funcionar enquanto ainda aguarda a aprovação definitiva nos parlamentos dos países envolvidos. Brasil, Argentina e Uruguai já finalizaram os trâmites internos, e o Paraguai deve concluir o processo em breve.
Assinado depois de mais de 25 anos de negociações, o tratado prevê a redução ou até a eliminação de tarifas de importação e exportação entre os blocos. Também estabelece regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas, além de investimentos e padrões regulatórios. Para o Brasil, o maior mercado do Mercosul, o acordo abre acesso a cerca de 450 milhões de consumidores europeus e deve impactar não só o agronegócio, mas também diversos setores da indústria.
Mesmo assim, o avanço não é consenso. Países como França, Polônia, Irlanda e Áustria demonstram preocupação com possíveis prejuízos ao setor agrícola, diante da concorrência com produtos sul-americanos. O presidente francês, Emmanuel Macron, chegou a criticar a aplicação provisória do acordo.
Por outro lado, nações como Alemanha e Espanha defendem o tratado, destacando o potencial de crescimento econômico, aumento das exportações e redução da dependência de mercados como o chinês.
O acordo ainda será analisado pela justiça europeia e precisa de aprovação final do parlamento para entrar em vigor de forma definitiva.
Compartilhar:
