Cartas e referências ao Manguebeat compõem nova exposição da Fundaj em homenagem aos 60 anos de “Homens e Caranguejos”, de Josué de Castro
Há seis décadas, uma das obras mais transformadoras da sociologia foi escrito. “Homens e Caranguejos”, de Josué de Castro, foi um romance que revolucionou a forma de pensar a miséria e a vida nos manguezais de Pernambuco e agora é o tema da exposição inaugurada pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) nesta quarta-feira (30). A Mostra Documental “60 anos de Homens e Caranguejos: Josué de Castro, o Recife e a Fome” está em cartaz na Sala de Leitura Nilo Pereira, no Campus Ulysses Pernambucano, no Derby. Gratuita, a visitação vai até 30 de outubro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.
“A mostra é fruto de uma parceria muito profícua que a gente tem desenvolvido com o Centro Josué de Castro e encerra uma etapa do mês, mas abre a possibilidade de trabalharmos mais um mês em torno do pensamento e da obra de Josué”, destacou Túlio Velho Barreto, diretor de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca) da Fundaj.
Na sala, estão distribuídos documentos originais, incluindo cartas, rascunhos escritos por Josué durante a elaboração do livro, além de registros de como a obra influenciou o movimento Manguebeat. A mostra teve curadoria de Sylvia Couceiro, coordenadora do Centro de Documentação e Pesquisa (Cdoc) do Cehibra/Fundaj, e Gustavo Rolnic, apoio técnico de Priscila Urpia e organização da Coordenação de Documentação e Pesquisa (Cehibra/Fundaj).
“Começamos mostrando os antecedentes, ou seja, como Josué teve ligação com essa temática, mostra um pouco do livro, a materialização das ideias, a repercussão que o livro teve mundialmente e, por fim, a gente tem uma coisa mais recente, dos anos 1990, quando a gente mostra um pouco da repercussão da obra de Josué no Manguebeat”, explicou Sylvia Couceiro.
Para Ricardo de Castro, neto de Josué, a exposição pode ser instrumento de perpetuar o pensamento do intelectual entre os jovens. “Só o jovem, com a capacidade de multiplicar o aprendizado em cada coisa dessas, pode fazer toda a diferença”. “A exposição casa a recuperação da memória de Josué de Castro com esse livro, que é o único romance dele. É uma parceria muito importante porque congrega duas entidades em torno da obra de um cientista pernambucano de reconhecimento mundial”, apontou José Arlindo Soares, presidente do Centro Josué de Castro.
A programação contou ainda com a Mostra de Cinema Ambiental Josué de Castro. Chegando à terceira edição, a atividade teve duas sessões na Sala Derby do Cinema da Fundação. Na primeira, foram exibidos os filmes “Antes do Fim do Mundo”, de Jennifer Santos; “A cada Maré”, de Letícia Rodriguês; e “Carbono Neutro”, de Mamede Silva. Já a segunda contou com a exibição dos curtas-metragens “Caminho Sinuoso”, de Adalberto Oliveira; “Depois da maré o que seremos?”, de Yuto Sanot; e “O Canto do Rio”, de Rostand Costa. Os filmes abordam, principalmente, a relação entre território e corpo – tanto em suas individualidades quanto coletividade.
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Com apoio do projeto de extensão Cine Interação, da Universidade Federal de Pernambuco, e curadoria do professor e cineasta Camilo Soares, do curso de Cinema da UFPE, os títulos escolhidos para a mostra dialogam com a obra de Josué. Os filmes foram produzidos a partir de três projetos selecionados de estudantes universitários, contemplados com bolsa-auxílio para a realização de curtas-metragens.
Ao longo de setembro, a Fundaj realizou atividades relacionadas ao Mês Josué de Castro, em ações sobre crise climáticas, insegurança alimentar e desigualdades sociais e ambientais, pensamentos centrais da obra do pernambucano. Autor de “Geografia da Fome” e “Geopolítica da Fome”, além de “Homens e Caranguejos”, o médico e intelectual desenvolveu uma produção que alcançou repercussão além do Brasil.

