O evento faz parte da programação da Jornada da Terra 2026
No segundo dia do seminário "Caatinga em Disputa: Ciência, Território e Justiça Ambiental Diante da Desertificação", promovido pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e o Instituto Nacional do Semiárido (INSA), a mesa conversou sobre as problemáticas que envolvem a desertificação do semiárido e como dados e estatísticas podem auxiliar a alterar esse cenário em ações efetivas.
Confira cobertura do primeiro dia:
Antes do início do seminário, Edneida Cavalcanti, coordenadora do Centro de Estudos Sociais e Territoriais (Cedist), lamentou o falecimento de Raquel Caldas Lins, docente aposentada do Departamento de Ciências Geográficas, e destacou o seu pioneirismo enquanto mulher no campo acadêmico e institucional.
"Raquel Caldas se consolidou como referência intelectual, abrindo caminhos para outras pesquisadoras e contribuindo para ampliar a participação das mulheres na construção do conhecimento sobre o Nordeste. Registro a homenagem reconhecendo a relevância da sua produção científica, mas a importância da sua presença na história da Fundaj e das instituições dedicadas ao estudo e desenvolvimento regional."
O primeiro painel do dia abordou o tema "Territórios, saberes e disputa de narrativa: quem fala, por quem e a partir de onde sobre a Caatinga" e contou com mediação de Paula Reis, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e responsável pela Rádio Paulo Freire, com participações de Carlos Magno (Centro Sabiá), Sara Brito Cruz, da (Asacom), Ludmilla Calado (Sudene) e André Luiz Ferreira (IBGE). A mesa conversou sobre o avanço da desertificação e como a mídia retrata a temática do semiárido, além de tratar sobre dados e estatísticas que envolvem a região.
Ludmilla Calado, coordenadora geral na área de estudos, pesquisas e avaliação da Sudene, explicou sobre a plataforma do Data Nordeste, que tem como objetivo centralizar e disseminar dados socioeconômicos e ambientais do Nordeste. A geógrafa destacou que as informações podem estimular e auxiliar gestores, pesquisadores e afins a tomar decisões sobre possíveis ações na região.
Na conversa sobre estatísticas públicas, invisibilidades territoriais e disputa por reconhecimento, Andre Luiz Ferreira, do IBGE, tratou como o instituto organiza os dados referentes ao semiárido e que existe o debate e um trabalho específico para "criar estatísticas ambientais e de mudanças climáticas, buscando atender às novas demandas, como a de biodiversidade.
À tarde , a programação iniciou com o lançamento do Dossiê Desertificação, da Revista Coletiva. Edneida Cavalcanti participou mais uma vez, ao lado de Pedro Silveira, pesquisador da Fundaj e editor da Coletiva, e Aldrin Perez Marin, pesquisador do Insa.
O dossiê reuniu temas atuais sobre o processo de degradação ambiental que compromete a fertilidade dos solos e afeta diretamente a biodiversidade do planeta. Em uma reunião de artigos com discussões gerais e específicas sobre o assunto, o leitor pode se aprofundar ainda mais e entender o que pode fazer para dar mais visibilidade à causa. O Dossiê da Desertificação já está disponível no site da Revista Coletiva.
Logo depois, foi realizado o último painel do seminário, com tema "Energias renováveis no Semiárido: para quem e a que preço?". A moderação foi do pesquisador Pedro Silveira, que recebeu José Godoy Bezerra de Souza, procurador público do Ministério Público Federal da Paraíba (MPF-PB). Ele tratou sobre marco jurídico, licenciamento e governança, com um olhar e comparação entre a atuação de empresas nas zonas rurais da Paraíba, estado de onde veio, e de Pernambuco.
A segunda participante do painel foi Roselita Vitor de Albuquerque, da Coordenação do Polo Sindical da Borborema, que trouxe um olhar para territórios, direitos e justiça energética, com um olhar especial para o direito da população da zona rural e como elas podem ser bem inseridas na pauta.
"Pensar sobre o clima, o que estamos vivendo no nosso planeta, é um debate muito discutido no Brasil, mas sempre vem de lado, nunca dos territórios. Além disso, tem uma questão muito grave porque o semiárido brasileiro virou um baú do tesouro para resolver a nossa crise climática, social e muito mais. E o capital sempre está ali. É sempre olhando para a caatinga como um lugar onde não existe vida, onde as pessoas estão apenas tentando sobreviver. E isso é algo que viola muito as comunidades rurais", declarou Roselita.
Fechando a programação, Edneida Cavalcanti, ao lado de Aldrin Perez Marin, fez uma reflexão sobre o seminário, com propostas, recomendações e mensagem alusiva ao Dia Mundial de Combate à Desertificação. Segundo ela, a busca por soluções para a crise ambiental e climática, por mais que árdua, é muito importante, e precisa da participação de todos.
“Tivemos discussões super importantes e atuais, trazendo uma leitura necessária e atualizada para o que é olhar para essa região hoje. Não dá para a gente não incluir todas essas pressões que são feitas dentro do território. Costumo dizer que essa redenção vai sendo atualizada e modernizada nesses vários ciclos, e precisamos quebrar com isso. Avançamos muito na quebra do paradigma da seca, e isso traz reflexões que dialogam com essas discussões”, disse.


