A sala de aula, que antes atraía os professores mais jovens, hoje enfrenta um desafio silencioso: o envelhecimento.
“Estamos vivendo na educação básica um fenômeno que nós estamos chamando de apagão de professores, que é a diminuição drástica da taxa de renovação da categoria docente. Isto é, mais professores que estão trabalhando na escola estão envelhecendo, enquanto o índice de professores no início da carreira é cada vez menor”, afirma Ana Paula Martins, diretora do Sindeducação de São Luís.
Além da queda nos números de formandos, as condições de trabalho enfrentadas no dia a dia afastam as novas gerações.
“A remuneração às vezes não é muito atrativa, as condições de trabalho. Existem professores que têm uma jornada dupla, tripla. O excesso de atividades fora da escola”, justifica Lindalva Maia, professora e doutora em Educação.
“Há cada vez mais exigência para o trabalho do professor, a sobrecarga, processos de violência e também de adoecimento, sobretudo por conta das condições de trabalho e pelo assédio moral”, lembra a sindicalista.
De acordo com o Instituto Semesp, atualmente existe apenas um professor mais jovem para cada três professores com mais de 60 anos de idade em todo o país. Se esse ritmo de formação não mudar, a projeção é que haja menos 235 mil professores na educação básica até 2040, um apagão que afeta diretamente a qualidade do ensino.
Valorizar o professor deixou de ser uma pauta exclusiva da categoria e passou a ser um desafio urgente para a formação do país.
“Essa redução de professores nas escolas afetará as próximas gerações, porque nós estamos diante de um aligeiramento da formação, a desqualificação profissional, o risco de improvisação, da plataformização, do uso indiscriminado de tecnologias, que faz o que nós já estamos vendo no nosso país e também internacionalmente: a diminuição da capacidade crítica e de aprendizagem dos alunos que têm acesso indiscriminado a essas tecnologias”, destaca Ana Paula Martins.
“Professores de história, geografia, física, química, português, literatura são tão importantes quanto o médico, o engenheiro, porque o professor é o formador das diversas profissões, das diversas gerações”, lembra Lindalva Maia.
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