Na semana do professor, uma pesquisa alerta: a média de idade dos professores do ensino básico no Brasil é cada vez maior, resultado da falta de novos profissionais.
Especialistas afirmam que quem se forma nas universidades muitas vezes acaba preferindo outras carreiras, com melhores salários e maior perspectiva de carreira a longo prazo.
Everton é professor há 18 anos. Ele dá aula para alunos dos primeiros anos do ensino fundamental e gosta do que faz. Basta ver o orgulho com que ele mostra esse livro desenvolvido a partir das aulas com um dos estudantes. Apesar de gostar muito do que faz, Everton diz que é preciso estar bem preparado para conseguir lidar com a rotina de uma sala de aula.
“É muito desafiador, né? Você precisa conquistar a confiança dos alunos, fazer combinados já no início do ano letivo para que tudo ocorra de um modo satisfatório”, afirma o professor Everton Dias de Oliveira.
A sala de aula é exigente. Além de conhecer o conteúdo, o professor precisa saber se conectar com os estudantes. E o salário nem sempre é o ideal. Pesquisa da organização Todos pela Educação mostra que os rendimentos dos professores das redes públicas, em média, são menores dos de outros profissionais que também têm ensino superior.
Uma pesquisa do sindicato das faculdades particulares de São Paulo indica que existem dificuldades para atrair jovens para as carreiras de professor. Segundo a pesquisa, entre 2015 e 2025, caiu em praticamente 20% o percentual de professores do ensino médio com idades entre 25 e 29 anos. Ao mesmo tempo, aumentou em 48% a quantidade de professores do ensino médio entre 50 e 59 anos de idade.
Mas o desinteresse pela carreira na educação não passa só pela questão salarial. As condições de trabalho, que muitas vezes não são as ideais, também afastam jovens talentos.
Para Talita Nascimento, diretora de Relações governamentais da organização Todos pela Educação, “hoje, os estados do Norte e do Nordeste são os mais afetados, mas não só. Se pegarmos, por exemplo, grandes centros urbanos como Rio de Janeiro, São Paulo, há uma dificuldade de encontrar professores que tenham interesses em dar aulas nas regiões mais conflagradas. Por quê? Porque são regiões violentas, são regiões que os professores não se sentem seguros em sala de aula e isso acaba afetando o interesse”.
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