Projeto parte de perspectivas descolonizadoras e formação acadêmica e pode ser visitado até 29 de maio
A permanência dos saberes e a vivência da ancestralidade, com elementos mutáveis e imutáveis, são o fio condutor de “Iranti: ancestralidade viva e contínua”. A nova exposição da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), inaugurada nessa sexta-feira (24), integra em formas, cores e texturas a valorização de saberes tradicionais e perspectivas descolonizadoras por meio da arte. A mostra ocupa a Sala de Leitura e a Sala de Videoarte Cristina Tavares, no campus Ulysses Pernambucano da instituição, no bairro do Derby, e segue aberta para visitação até 29 de maio.
Ao longo dos espaços expositivos, diferentes linguagens artísticas e tecnológicas dialogam com a proposta de dar visibilidade aos povos originários e aprofundar o conhecimento sobre suas culturas e territórios. São instalações, artes visuais, painel e textos dos criadores, artistas e pensadores, bem como exposição sonora, óculos de realidade virtual, produções em curta-metragem, videoinstalação e videoarte e uma experiência imersiva em uma cartografia sensorial no jardim.
“Iranti: ancestralidade viva e contínua” é resultado de um projeto coletivo do curso de Especialização em Arte e Educação em uma Perspectiva Descolonizadora, da Diretoria de Formação Profissional e Inovação (Difor/Fundaj). O curso é coordenado pela professora Tatiana Ferraz e tem o objetivo de transformar processos educativos a partir de mais aprendizados sobre povos africanos e indígenas. “É uma construção e uma troca coletivas. São saberes ligados à cultura, à arte em diferentes formas e à educação”, afirmou a diretora da Difor, Ana Sousa Abranches.
Para Ana Lúcia Moura, coordenadora de Atividades de Cursos de Pós-Graduação da Fundaj, o projeto simboliza a coletividade e a prática do que foi apresentado em sala de aula. “Esse é um projeto coletivo para colocar na prática aquilo que os discentes aprenderam na teoria. E essa abertura acontece em uma data bem interessante, pois estamos finalizando a Semana da Terra e esses projetos artísticos conversam e estão alinhados com a preocupação com sustentabilidade ambiental e diversidade”, destacou.
Um mural que representa o Rio Tapajós e as populações que vivem em seu entorno introduzem a temática aos visitantes. Intitulado “Cores da Terra: o uso da geotinta como recurso didático”, o trabalho da aluna Larissa Guedes de Oliveira foi desenvolvido com geotintas e aborda meio ambiente, preservação, cultura e sociedade. “Extraímos o pigmento da rocha bruta e fizemos um processo para transformar em geotinta, triturando e misturando com aglutinante até virar tinta”, explicou. A artista Afrobitch, que fez a curadoria musical, explicou que “a música eletrônica tem uma raiz negra, LGBTQIAPN+ e latina, mas é um gênero muito embranquecido”, o que a levou a usar elementos das músicas eletrônica e tradicionais”, explicou. Já na Sala de Videoarte, são apresentadas performances sobre temáticas que relacionam pertencimento e território, como a Jurema sagrada.
Na abertura, estiveram presentes Luciana Rosa Marques, diretora de Pesquisas Sociais (Dipes),representando a presidenta da Fundaj, Márcia Angela Aguiar; Viviane Toraci, que coordena o laboratório; e as pesquisadoras Darcilene Gomes e Veronilda Barbosa. O encontro foi finalizado com uma roda de toré, ritual sagrado e cultural de povos indígenas do Nordeste brasileiro. A exposição foi desenvolvida em parceria com o MultiHlab (Laboratório Multiusuário em Humanidades), projeto de extensão do ProfSocio (Mestrado Profissional de Sociologia). A Sala de Leitura pode ser visitada de segundas a sextas-feiras, das 9h às 17h, e a Sala de Videoarte, de terças a sextas-feiras, das 13h às 17h.


