A guerra no Oriente Médio já feriu ou matou, apenas no Líbano, o equivalente a uma sala de aula de crianças por dia, afirmou a Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo dados do Ministério da Saúde libanês, pelo menos 111 crianças foram mortas e 334 ficaram feridas em ataques israelenses no país desde 2 de março, quando o grupo armado libanês Hezbollah entrou na guerra regional disparando contra o território israelense.
As crianças do Oriente Médio pagaram um preço terrível por esta guerra, disse o vice-presidente do Unicef, Ted Chaiban. Segundo ele, as mortes de crianças no Líbano estão entre as 1.200 mortas em toda a região nas últimas semanas: quase 200 no Irã, quatro em Israel e uma no Kuwait. E entre as mais de um milhão de pessoas deslocadas no Líbano estão 350.000 crianças. Isso está afetando completamente a vida delas, que ficam sem casa, sem escola e sem qualquer sensação de normalidade, disse Chaiban.
Segundo ele, o Unicef está fornecendo água, kits de saneamento, roupas quentes e cobertores para as crianças e suas famílias. Chaiban afirmou que não há justificativa para atacar a infraestrutura de saúde, a infraestrutura de água, as escolas. "Todas elas precisam ser protegidas", acrescentou.
As Nações Unidas também alertam que a escalada do conflito pode agravar a fome global. O porta-voz adjunto da ONU, Farhan Haq, disse que estimativas do Programa Mundial de Alimentos mostram que quase 45 milhões de pessoas a mais poderão enfrentar insegurança alimentar aguda em 2026 se o conflito no Oriente Médio não terminar até meados do ano e os preços do petróleo permanecerem acima de US$ 100 dólares por barril. Isso aumentaria o número de pessoas em situação de insegurança alimentar para 318 milhões em todo o mundo, afirmou ele.
Haq explicou que a interrupção do Estreito de Ormuz, uma rota fundamental para o abastecimento energético global, poderia ter graves consequências para a segurança alimentar e que manter a hidrovia aberta é crucial para evitar um aumento drástico da fome no mundo.
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