Encontro apoiado pelo ICMBio reuniu especialistas e comunidades para discutir soluções integradas de manejo do fogo com foco em três biomas brasileiros
Entre os dias 17 e 19 de março de 2026, foi realizado o I Seminário de Pesquisa e Conhecimento Tradicional em Manejo Integrado do Fogo (MIF), focado nas realidades da Caatinga, Pampa e Pantanal. Sediado na Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), em Petrolina, Pernambuco, o evento promoveu um encontro direto e fundamental entre a academia, órgãos governamentais de preservação ambiental e membros de diversas comunidades.
Com uma programação extensa, a estrutura do seminário contou com conferências, mesas redondas e dezenas de apresentações de trabalhos em formatos orais, pôsteres e vídeos. O objetivo central das discussões foi consolidar os Planos de MIF como ferramentas indispensáveis de articulação entre a gestão territorial, a comunidade local e a conservação da biodiversidade.
“Discussões importantes para biomas que são muitas vezes relegados nessa questão. Mais de 60 painéis discutindo fauna e flora. Com viés importante para relações humanas com o ambiente, com as populações tradicionais relacionadas”, indica João Paulo Morita, coordenador do Centro Especializado em Manejo Integrado do Fogo (CEMIF) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
A força da integração de saberes
O grande diferencial desta primeira edição foi o seu caráter totalmente integrativo, que priorizou a criação de espaços democráticos de discussão para a construção de pensamentos coletivos. Andressa Cotta, pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), ressaltou que o cruzamento de informações demonstrou de forma clara que os dados científicos respaldam os conhecimentos e as práticas que os brigadistas tradicionais já utilizam.
Wilt, participante pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), também destacou a relevância de aproximar o meio acadêmico da realidade local "É de extrema importância trazer a vida acadêmica para esses projetos, trazer a comunidade", afirmou, celebrando a união de saberes entre cientistas e quem lida diretamente com o fogo.
O seminário também serviu como uma grande vitrine para o compartilhamento de inovações e estudos de caso de todas as regiões do país. Entre os destaques, o público pôde conhecer:
-
Trabalhos tecnológicos, como a evolução do uso de drones no apoio ao combate a incêndios florestais no Parque Nacional de Ubajara (CE).
-
Pesquisas ecológicas, como as que investigam a forma como a agricultura de corte-e-queima impacta ecossistemas na Caatinga e as análises sobre como a flora e a fauna reagem ao fogo nos Pampas.
-
Debates sobre conservação cultural, evidenciando as estratégias tradicionais no Pantanal e a construção de protocolos bioculturais em rede com as comunidades locais.
-
Casos práticos de gestão, incluindo o desafio da reintrodução do fogo nos campos de altitude do Rio Grande do Sul após 25 anos de supressão de distúrbios, e a análise de 25 anos de fogo na Serra do Teixeira (PB) para orientar o manejo em áreas prioritárias.
Balanço positivo
O evento, que contou com o Instituto como instituição apoiadora, recebeu avaliações positivas de quem esteve presente.
O Coordenador Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP/ICMBio), Rogério Cunha, fez questão de exaltar o impacto do encontro. Segundo ele, o seminário contou com participantes de "alto nível" e uma organização que funcionou com excelência. Ele destacou que a estrutura permitiu que as pessoas conseguissem "falar, perguntar, interagir, acessar os painéis e os resultados de cada pessoa" de forma dinâmica. O coordenador resumiu o grande propósito alcançado nestes três dias de imersão.**"Tem o sentido de a gente trazer mais conhecimento, trocar mais e avançar em uma série de lacunas que a gente tem para melhorar nosso manejo integrado do fogo", disse.
Com um encerramento marcado por sessões de pôsteres e apresentações culturais, a primeira edição do seminário fechou sua primeira edição deixando a forte expectativa de que este foi apenas o passo inicial a muitos outros encontros que foquem em fortalecer a troca vital de experiências e justiça climática.
Comunicação ICMBio



