O secretário de estado norte-americano Marco Rubio afirmou que o país pretende acabar com a guerra contra o Irã em algumas semanas. Rubio não citou o Líbano na declaração. O país foi arrastado para a guerra por causa do grupo Hezbollah, que atua em território libanês.
A Agência da ONU para Refugiados afirmou, nesta sexta-feira (27), que o Líbano enfrenta atualmente uma profunda crise humanitária, que pode se transformar em uma catástrofe. Após o início dos ataques contra o Irã, Israel intensificou os bombardeios no Líbano. O objetivo, segundo o governo israelense, é eliminar o Hezbollah, grupo rebelde financiado pelo Irã e que atua a partir do território libanês. Desde então, Israel concentrou ataques tanto na capital, Beirute, como no sul do país. E entrou com tropas terrestres, que destruíram pontes e casas.
Mais de mil pessoas morreram no Líbano até agora nos ataques israelenses e um milhão estão desabrigadas, das quais 370 mil são crianças. Isso significa que uma a cada cinco libaneses foi expulso de casa.
Ahmed e a esposa estão entre os que precisaram sair do sul para fugir dos ataques. Eles estão abrigados em uma escola em Beirute e dizem que tudo o que deixaram para trás, casa, móveis, agora está destruído.
Apesar disso, o exército israelense afirmou hoje que tem planos significativos de continuar a operação no sul do Líbano e que o objetivo principal é proteger as comunidades que moram no norte de Israel do Hezbollah.
No Irã, segundo organizações humanitárias, 1.900 pessoas morreram nos ataques dos Estados Unidos e Israel, e outras 20 mil ficaram feridas. Hoje, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos da ONU pediu que as investigações sobre o bombardeio contra uma escola no país sejam concluídas rapidamente. O ataque na cidade de Minab deixou 175 mortos, entre alunos e professores.
Além da tragédia humanitária, a guerra traz preocupações econômicas globais por causa da alta do petróleo e nucleares. Hoje, o Irã confirmou que duas usinas de urânio foram bombardeadas. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, não há, até agora, evidências de um vazamento de material radioativo.
A TV estatal iraniana afirmou que o país proibiu a passagem no Estreito de Ormuz de navios que saiam ou tenham como destino portos em países aliados dos Estados Unidos ou Israel, e disse que quem tentar passar sofrerá medidas severas.
Com medo de ataques iranianos, diversas embarcações deram meia-volta antes de chegar ao canal. No Estreito de Ormuz passavam, normalmente, cerca de 20% do petróleo mundial. O fechamento do estreito já provocou aumento do preço global de petróleo e há um temor de inflação generalizada no mundo. Justamente por isso, o canal é parte importante das negociações entre Estados Unidos e Irã para o fim da guerra.
As consequências humanitárias graves impactam, inclusive, países não envolvidos no conflito. É o caso de algumas nações africanas como Sudão e Chade, que podem ficar sem suprimentos para conter surtos de cólera.
Tanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) como a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho afirmaram que algumas de suas remessas estão retidas nos Emirados Árabes Unidos e não conseguem ser enviadas por causa do fechamento do Estreito de Ormuz. Segundo as entidades, o transporte via aérea teria um custo 70% maior, o que torna a operação inviável.
Entre os insumos estão remédios, materiais para instalação de pequenos hospitais de campanha e cloro para tratamento de água.
A paralisação do transporte ocorre pouco antes do período de chuvas na região, que é quando aumentam os casos de cólera. Um médico que atua no Chade afirmou que, caso haja surto, há remédios para apenas 100 pacientes. Em 2025, o mundo registrou 600 mil casos de cólera e 8.000 mortes pela doença.
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