Encontro combinou palestras e visitas guiadas voltadas ao patrimônio cultural capixaba
Nesta quarta-feira (15/4), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em parceria com a Secretaria de Educação de Vitória, promoveu o 1º Encontro Formativo PEB III - professores/as de Arte no ensino fundamental, que ocorreu no Museu Capixaba do Negro Verônica da Pas (MUCANE) e na sede da Superintendência do Iphan no Espírito Santo. Com o tema “Olhares sobre a ilha: educação patrimonial e estratégias pedagógicas em Vitória”, a iniciativa reuniu docentes da rede municipal em duas turmas, nos períodos matutino e vespertino.
Voltado a professores de Arte das Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs), o encontro destacou a educação patrimonial como uma ferramenta capaz de tornar o ensino mais próximo da realidade dos estudantes. A formação foi organizada pela professora referência de Arte da Secretaria Municipal de Educação de Vitória, Valeska Maria Mathias, e conduzida por técnicos do Iphan, que apresentaram, de forma dinâmica, conceitos e práticas voltados à valorização do patrimônio cultural.
A programação combinou teoria e prática. Nas palestras, os participantes conheceram as diferentes categorias de patrimônio, além dos instrumentos de proteção, como tombamento e registro, com exemplos de bens reconhecidos no estado. Também foram apresentados os principais mecanismos de preservação adotados pelo Iphan, com destaque para o processo de tombamento do Sítio Histórico e Arqueológico de São José do Queimado, aprovado em novembro de 2025, e para a Portaria nº 135/2023, que regulamenta o procedimento para a declaração do tombamento de documentos e sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos.
Foto: Acervo Iphan
Já nas atividades externas, os professores participaram de visitas guiadas pelo centro histórico de Vitória, em um percurso que estimulou novos olhares sobre a cidade e suas referências culturais. A proposta foi aproximar o conteúdo da prática pedagógica, incentivando o desenvolvimento de estratégias mais significativas em sala de aula.
Para a professora da EMEF Edna de Mattos Siqueira, Christiane Torloni Torres, trabalhar o reconhecimento e a valorização da história e dos bens culturais no currículo escolar é essencial, pois fortalece o sentimento de pertencimento e torna a aprendizagem mais significativa.
“Vivenciar este momento de formação com o Iphan representa uma oportunidade valiosa, pois amplia o olhar dos professores e fortalece práticas pedagógicas mais sensíveis e conectadas ao patrimônio cultural”, completou ela.
Como suporte ao trabalho docente, também foram distribuídos materiais didáticos, incluindo folhetos informativos sobre patrimônio cultural e conteúdos elaborados especialmente para a ação. A expectativa é que esses recursos contribuam para a continuidade das atividades nas escolas.
“A educação patrimonial é um processo contínuo e participativo de construção de conhecimentos, que utiliza o patrimônio cultural como base para promover a reflexão, a valorização e o reconhecimento das referências culturais pelos próprios grupos sociais”, destaca o historiador e técnico do Iphan, Marcelo Murilo.
Segundo ele, iniciativas desse tipo fazem parte da rotina da superintendência do Iphan no estado, que ao longo do ano atende às demandas de professores e promove atividades como palestras e visitas guiadas. Essas ações se intensificam especialmente em períodos de maior mobilização em torno de pautas culturais, como a Semana de Museus e o Mês da Consciência Negra.
Em Vitória, a expectativa é que esse trabalho tenha continuidade, ampliando o diálogo com a rede de ensino e fortalecendo o papel da escola na valorização da memória, da identidade e do patrimônio cultural capixaba.
Mais informações
Ana Carla Pereira – carla.pereira@iphan.gov.br



