O Ministério Público do Rio de Janeiro instaurou uma investigação independente, coordenada pelo GAESP, Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública, para apurar as mais de cem mortes na megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha. Entre os pedidos feitos está a verificação das câmeras corporais dos policiais envolvidos.
Em entrevista coletiva nessa quarta-feira, o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, afirmou que o acesso e a checagem das imagens são parte essencial da investigação sobre as mortes.
O procurador ainda destacou que o MP adotou todas as medidas cabíveis desde as primeiras horas da operação, acionando os protocolos previstos na ADPF 635, a chamada ADPF das Favelas, que estabelece parâmetros de controle externo da atividade policial.
"Nós acionamos o nosso protocolo. Nós temos uma subdivisão do grupo, que tem o objetivo de monitorar essas operações a partir do recebimento da comunicação. E esse grupo, ele não apenas monitora o que a polícia está fazendo, mas também, com outros membros, com outros colegas, promotores e promotoras, abre um canal de contato permanente com a população".
Segundo Antonio José Moreira, três peritos legistas e um promotor de Justiça acompanham todas as necropsias no Instituto Médico-Legal, com o uso de um scanner de alta precisão que permite radiografias completas dos corpos. Essa tecnologia é considerada essencial para compreender a dinâmica dos confrontos e para a produção de provas.
O Ministério Público do Rio ainda solicitou ao governo do estado relatórios com informações sobre efetivo policial, armamentos e materiais apreendidos. O MP também vai realizar oitivas próprias e acompanhar os depoimentos de policiais e testemunhas.
O Procurador-Geral de Justiça lembrou que o MP supervisiona há mais de um ano a investigação da Polícia Civil que identificou diversas lideranças do Comando Vermelho atuando nos Complexos do Alemão e da Penha e que, a partir das provas reunidas, foi oferecida denúncia que resultou na expedição de 51 mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão. O Procurador ressaltou que a operação não era de retomada territorial, mas de cumprimento de ordens judiciais.
Matéria atualizada às 11h45.
