Foi instaurado inquérito para apurar possíveis crimes de policiais militares envolvendo desvio de armamento e de peças de carro, além da tentativa de ocultação de imagens durante a operação mais letal da história do país, que deixou mais de 120 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, em outubro desse ano. Cinco policiais foram presos.
A investigação usou análises das imagens captadas pelas câmeras corporais de oito policiais militares do Batalhão de Choque que atuaram na operação do último dia 28 de outubro.
Seis PMs foram denunciados. Entre os crimes que constam no relatório de 266 páginas está o caso de um fuzil que, pelas imagens captadas, foi apreendido pelo segundo sargento Diogo da Silva Souza, mas não foi notificado oficialmente às autoridades. Na decisão judicial pela prisão preventiva dos policiais, o caso é tratado como suspeita de desvio e ocultação do armamento.
O batalhão de choque contabilizou nessa operação a apreensão de 22 fuzis. As câmeras corporais também flagraram o terceiro sargento Eduardo Coutinho furtando peças de uma caminhonete. De acordo com o documento, consta no Portal da Segurança Pública que ele é proprietário de um veículo do mesmo modelo.
Para possibilitar a retirada, Coutinho tirou sua câmera e a entregou a outro policial. As imagens mostram que, além do farol, ele retirou a tampa do motor do carro e as capas dos retrovisores com um aval do superior, o subtenente Marcelo Luís do Amaral, que ainda diz que "a hora é essa".
Além do fuzil e do desmanche da caminhonete, as câmeras corporais revelam infrações como tentativa de desligar o equipamento ou retirá-lo da farda.
O Ministério Público também fez outra denúncia envolvendo dois terceiros sargentos da Polícia Militar sobre o sumiço de um fuzil semelhante ao modelo AK-47 encontrado em uma casa no Complexo do Alemão durante a operação e que também não foi registrado oficialmente entre os materiais apreendidos.
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