Depois de registrar chuvas torrenciais, o deserto do Atacama, no Chile, está coberto de neve. Os eventos extremos evidenciam o desequilíbrio climático intensificado pelo El Niño.
O Atacama é conhecido como o deserto mais seco do mundo, dono de um clima superárido. Mas esta semana o cenário se transformou na região. O terreno rochoso, com cascalhos e dunas de areia, ficou coberto por uma vasta camada de neve. Nem parecia o mesmo lugar. Imagens do vilarejo de Machuca invadiram as redes sociais e mostraram estradas e montanhas cobertas de gelo.
A nevasca histórica na região tem influência de um fenômeno que ganhou o noticiário: o Super El Niño. Em anos normais, o Atacama é protegido por um bloqueio atmosférico, aquela bolha de ar quente e seco que impede a chegada de frentes frias e úmidas. Mas com o El Niño, tudo mudou. Ele atua enfraquecendo os ventos que impedem o avanço da umidade, deixando o caminho livre para as instabilidades.
E foi esse caminho aberto que possibilitou também que chuvas torrenciais atingissem parte do Chile no mês passado. Isso mesmo, não foi só neve. Choveu, e muito, no deserto. A culpa foi do Oceano Pacífico, que mais quente jogou mais vapor no ar. E o vento, mesmo tímido, empurrou tudo para o continente. O encontro da grande umidade com as baixas temperaturas de inverno transformou o deserto. Em poucos dias, o norte do Chile registrou o equivalente a anos de chuva. E agora, neve.
E não para por aí. Úmida, a terra seca virou um campo florido, e as imagens do inverno histórico se espalharam pelo mundo, fazendo de conta que era primavera.
“O deserto do Atacama é o mais árido do mundo e também um dos territórios com maiores níveis de radiação solar e ultravioleta do planeta. Isso significa que as condições são muito adversas para o crescimento de qualquer ser vivo”, explica Ariel Orellana, diretor de Biotecnologia Vegetal da Universidade Andrés Bello.
Compartilhar:
