Começou ontem, 8 de abril, no Teatro Benjamin Constant, o evento na temática "Traçando caminhos: pontos do direito à escola e a universalização do Braille".
Com a presença do diretor-geral do IBC, da secretária da pessoa com deficiência e da vereadora Luciana Novaes, o debate de abertura versou sobre políticas públicas relativas à acessibilidade da cidade, com especial atenção ao sistema Braille como agente de emancipação da pessoa deficiente visual e instrumento de circulação do conhecimento e registro do saber.
Pioneirismo e importância
O primeiro orador do Simpósio, Mauro da Conceição, diretor-geral do IBC, ressaltou o pioneirismo do Instituto, em todo o continente americano, na aplicação efetiva da leitura e escrita braille. “Celebrar o Sistema Braille é o propósito deste Simpósio hoje, no Dia Nacional do Sistema Braille. É reconhecer que cada ponto em relevo representa muito mais que letras e números. Representa: oportunidades, inclusão, dignidade e respeito e garantias do cidadão com deficiência visual”, disse.
O diretor-geral também fez questão de prestar homenagem para todos que ao longo da história lutaram para o exercício da cidadania das pessoas cegas e com baixa visão. Por outro lado, fez críticas ao atraso na plena instrumentalização para o atendimento e inclusão do deficiente visual, presente em todas as áreas, inclusive na educacional, citando o exemplo da falta dos livros didáticos adaptados nas escolas, para o ano letivo de 2026, já em curso.
A qualidade e veracidade da comunicação no Sistema Braille, segundo Mauro, deveria passar por certificação do IBC. Nas embalagens, nos cardápios, nos encartes e panfletos, nas orientações de serviços e uso de produtos etc, o conteúdo deve ser validado com o original em tinta. Mauro comentou que já existe um Projeto de Lei que precisa caminhar na esfera competente.
Ecossistema de direitos
Já a vereadora Luciana Novaes, lançou a reflexão que os entraves na acessibilidade não seja a falta de leis e, sim, fazer com que aquilo que foi conquistado chegue, de fato, na vidadas pessoas. “Quando falamos de Sistema Braille é de “autonomia para ler algo que é seu, de poder compreender o mundo com liberdade”. A vereadora, que é cadeirante, tetraplégica, reforçou que infelizmente o acesso ao sistema não é uma realidade para todos e requer a mobilização da sociedade como um todo para reverter esta situação.
Luciane ensinou que “não devemos tratar a acessibilidade como algo pontual, pois a exclusão não acontece em partes, mas em cadeia. A inclusão também precisa ser encarada como um ecossistema de direitos que se conectam”. A vereadora afirmou que uma cidade que não é legível para todos é uma cidade que exclui, pensamento que coloca o Sistema Braille como essencial para a autonomia e cidadania.
Participação e parceria
A última oradora da manhã do evento, a secretária municipal da pessoa com deficiência do Rio de Janeiro, Helena Werneck, comentou sobre os esforços da secretaria para participar como consultora em projetos de urbanismo, para sair da posição de pleitear o conserto daquilo que não considerou as regras de acessibilidade. Ela também ressaltou que é necessário unir forças para que as gestões superiores entendam a importância real de se executar um política verdadeira e consistente para as pessoas com deficiência. Helena defendeu um banco de dados para melhor mapeamento e respeito às demandas.
A secretária aproveitou o evento para confirmar as tratativas com o IBC para instalar no Centro do Rio de Janeiro, em prédio Municipal, uma unidade de serviços do IBC. Segundo a secretária e o diretor-geral, o que falta para a parceria entrar em execução é o estudos das atividades indicadas para o local e a garantia de recursos humanos e financeiros para implantação e manutenção dos atendimentos.


